{"id":39306,"date":"2024-04-12T10:27:26","date_gmt":"2024-04-12T13:27:26","guid":{"rendered":"https:\/\/informalagoas.com.br\/portal\/?p=39306"},"modified":"2024-04-12T10:27:26","modified_gmt":"2024-04-12T13:27:26","slug":"jayme-amorim-de-miranda-a-maior-lideranca-comunista-de-alagoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/informealagoas.com.br\/index.php\/2024\/04\/12\/jayme-amorim-de-miranda-a-maior-lideranca-comunista-de-alagoas\/","title":{"rendered":"Jayme Amorim de Miranda, a maior lideran\u00e7a comunista de Alagoas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\">Jayme Miranda foi sequestrado pela Ditadura Militar no dia 4 de fevereiro de 1975, ap\u00f3s sair de casa no bairro do Catumbi, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<figure style=\"width: 820px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.historiadealagoas.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Jayme-Miranda-e-familia-Copia-e1707072802345.webp?resize=820%2C410&amp;ssl=1\" alt=\"\" width=\"820\" height=\"410\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Jayme Miranda e fam\u00edlia<\/figcaption><\/figure>\n<p>O jornalista e advogado\u00a0<strong>Jayme Miranda<\/strong>\u00a0nasceu em\u00a0<strong>18 de julho de 1926<\/strong>\u00a0em Macei\u00f3\/AL e era o segundo dos dez filhos do casal\u00a0<strong>Manoel Simpl\u00edcio de Miranda<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Herm\u00e9 Amorim de Miranda<\/strong>.<\/p>\n<p>Ingressou na\u00a0<strong>Faculdade de Direito de Alagoas<\/strong>, mas interrompeu o curso em 1946 para, aos 22 anos, tornar-se\u00a0<strong>3\u00ba Sargento<\/strong>\u00a0de Engenharia do Ex\u00e9rcito, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Com 23 anos de idade, ainda estudante e tamb\u00e9m\u00a0<strong>banc\u00e1rio<\/strong>, em 1949, j\u00e1 participava de algumas atividades ligadas ao\u00a0<strong>Partido Comunista<\/strong>. Em sua ficha no\u00a0<strong>DOPSE<\/strong>\u00a0consta que era um dos distribuidores de \u201c<strong>boletins subversivos<\/strong>\u201d em 16 de outubro daquele ano.<\/p>\n<p>Em\u00a0<strong>1950<\/strong>, Jayme reabriu o jornal\u00a0<strong><em>A Voz do Povo<\/em><\/strong>\u00a0cujo objetivo, segundo\u00a0<strong>Dirceu Lindoso<\/strong>, era fazer uma cr\u00edtica ideol\u00f3gica e radical\u00a0<strong>marxista<\/strong>\u00a0na viv\u00eancia alagoana do s\u00e9culo XX. Por seu trabalho em defesa da classe trabalhadora e das<strong>\u00a0ideias marxistas<\/strong>,\u00a0<em>A<\/em>\u00a0<em>Voz do Povo<\/em>\u00a0foi considerado como uma publica\u00e7\u00e3o\u00a0<strong>subversiva.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure style=\"width: 313px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.historiadealagoas.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Jaime-Miranda.jpg?resize=615%2C1024&amp;ssl=1\" alt=\"\" width=\"313\" height=\"521\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Jayme Miranda<\/figcaption><\/figure>\n<p>Jayme Miranda foi<strong>\u00a0preso<\/strong>\u00a0pela primeira vez em\u00a0<strong>12 de mar\u00e7o de 1951<\/strong>, quando participava de um com\u00edcio oper\u00e1rio em\u00a0<strong>Fern\u00e3o Velho<\/strong>. Em abril daquele mesmo ano estava de volta ao\u00a0<strong>DOPSE<\/strong>, intimado a dar explica\u00e7\u00f5es por estar distribuindo a\u00a0<strong><em>A Voz do Povo<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>Ainda em 1951, foi anotado em sua ficha que tinha\u00a0<strong>participado<\/strong>, em junho, da distribui\u00e7\u00e3o do boletim do \u201c<em><strong>Movimento Alagoano dos Partid\u00e1rios da Paz<\/strong><\/em>\u201c, que atuava contra a participa\u00e7\u00e3o do Brasil na\u00a0<strong>Guerra da Coreia<\/strong>.<\/p>\n<p>Dois meses depois\u00a0<strong>discursou<\/strong>\u00a0na reuni\u00e3o e instala\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>Frente Juvenil em Defesa do Petr\u00f3leo e da Economia Nacional<\/strong>, \u201cdeixando transparecer a orienta\u00e7\u00e3o comunista sobre o assunto\u201d, como registrou o\u00a0<strong>DOPSE<\/strong>.<\/p>\n<p>No dia 19 de dezembro de 1951, a\u00a0<em><strong>Voz do Povo<\/strong><\/em>\u00a0publicou um manisfesto \u201c<strong>Em Defesa da Paz, da Vida e da Liberdade<\/strong>\u201c. Jayme Miranda era um dos seus signat\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Colou grau<\/strong>\u00a0em Direito no fim de 1951, gra\u00e7as a seus amigos que o protegeram de mais uma\u00a0<strong>pris\u00e3o<\/strong>. Somente em 29 de setembro de 1954 foi que prestou\u00a0<strong>compromisso<\/strong>\u00a0para inscri\u00e7\u00e3o na Ordem dos Advogados do Brasil \u2013 OAB, obtendo o\u00a0<strong>registro n\u00ba 354<\/strong>.<\/p>\n<p>Em janeiro de 1952 seu nome estava entre os que assinaram mais um manifesto do \u201c<strong>Movimento Alagoano dos Partid\u00e1rios da Paz<\/strong>\u201c. Dois meses depois foi\u00a0<strong>preso<\/strong>\u00a0com outros companheiros por ser dirigente e divulgar uma \u201corganiza\u00e7\u00e3o subversiva\u201d, o\u00a0<strong>PCB<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.historiadealagoas.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Turma-de-Direito-na-formatura-em-dezembro-de-1951.jpg?resize=1024%2C563&amp;ssl=1\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"563\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Jayme Miranda e sua turma de Direito na formatura em dezembro de 1951 (o segundo acima da direita para a esquerda)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Estava em\u00a0<strong>Recife<\/strong>\u00a0no ano de 1953, quando voltou a ser preso e condenado a\u00a0<strong>12 meses de reclus\u00e3o<\/strong>, cumpridas no\u00a0<strong>Pres\u00eddio de Macei\u00f3<\/strong>. Durante sua pris\u00e3o, foi acusado de liderar um \u201c<strong>movimento de car\u00e1ter subversivo<\/strong>\u00a0na Penitenci\u00e1ria do Estado\u201d. O inqu\u00e9rito foi aberto no dia\u00a0<strong>17 de novembro de 1953<\/strong>. Nesse processo tamb\u00e9m foram incursos\u00a0<strong>Jos\u00e9 Domingos da Silva<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Jos\u00e9 Luiz dos Santos<\/strong>.<\/p>\n<p>Na verdade,\u00a0<strong>Jayme Miranda<\/strong>, como humanista que era, aproveitou o tempo em que estava detido para\u00a0<strong>orientar outros prisioneiros<\/strong>, que cumpriam pena\u00a0<strong>sem den\u00fancia formal<\/strong>. Indicava que impetrassem\u00a0<strong><em>habeas corpus<\/em><\/strong>\u00a0para se livrarem das\u00a0<strong>pris\u00f5es ilegais<\/strong>.<\/p>\n<figure style=\"width: 336px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.historiadealagoas.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Jayme-Miranda-3-Sargento-em-1948.jpg?w=550&amp;ssl=1\" alt=\"\" width=\"336\" height=\"358\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Jayme Miranda 3\u00ba Sargento do Ex\u00e9rcito em 1948<\/figcaption><\/figure>\n<p>Segundo o DOPSE, em 1959 Jayme Miranda viajou pela\u00a0<strong>Europa<\/strong>, \u00c1sia e \u00c1frica (passaporte n\u00ba 279933).<\/p>\n<p>Em 1961, com a ren\u00fancia de\u00a0<strong>J\u00e2nio Quadros<\/strong>\u00a0e diante da tentativa de golpe para impedir a posse do vice-presidente\u00a0<strong>Jo\u00e3o Goulart<\/strong>, ocorreram v\u00e1rias mobiliza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para garantir que\u00a0<strong>Jango\u00a0<\/strong>assumisse. Em\u00a0<strong>Alagoas<\/strong>\u00a0foi realizado um ato p\u00fablico no dia\u00a0<strong>7 de setembro<\/strong>, no\u00a0<strong>Parque Rodolfo Lins<\/strong>, atual Pra\u00e7a do Pirulito. Nesse \u201c<strong>Com\u00edcio da Legalidade<\/strong>\u201c, Jayme declarou que \u201cquisera ter a honra de s<strong>er comunista<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>Esse pronunciamento j\u00e1 fazia parte da campanha pela\u00a0<strong>legaliza\u00e7\u00e3o do Partido Comunista<\/strong>, que no m\u00eas seguinte, no dia 4 e no mesmo local, voltou a realizar com\u00edcio, com a presen\u00e7a de\u00a0<strong>Jayme Miranda<\/strong>, reivindicando o\u00a0<strong>reconhecimento<\/strong>\u00a0do partido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em\u00a0<strong>janeiro de 1962<\/strong>, tamb\u00e9m estava presente no ato convocado pelos\u00a0<strong>estudantes secundaristas<\/strong>\u00a0de Alagoas. O evento n\u00e3o ocorreu por\u00a0<strong>interven\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia<\/strong>, que argumentou n\u00e3o ter autorizado e agrediu os manifestantes. Por protestarem contra a\u00a0<strong>viol\u00eancia<\/strong>\u00a0empregada,\u00a0<strong>Nilson Miranda<\/strong>\u00a0(irm\u00e3o de Jayme) e\u00a0<strong>Laudo Braga<\/strong>\u00a0foram presos.<\/p>\n<p>Foi um dos oradores da reuni\u00e3o organizada pelos \u201c<strong>Amigos de Cuba<\/strong>\u201d no dia 26 de julho de 1962 na sede do\u00a0<strong>Montepio dos Artistas<\/strong>. Comemorava-se a data da primeira a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria liderada por\u00a0<strong>Fidel Castro<\/strong>\u00a0em 1953: o ataque sem vit\u00f3ria ao\u00a0<strong>Quartel de Moncada<\/strong>.<\/p>\n<p>Segundo a ficha do\u00a0<strong>DOPSE<\/strong>, Jayme concitou os presentes a\u00a0<strong>pegarem em armas<\/strong>\u00a0contra qualquer participa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds em\u00a0<strong>agress\u00f5es \u00e0 Cuba<\/strong>, algo que estava sendo planejado pelos EUA.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de 1963,\u00a0<strong>viajou<\/strong>\u00a0para a \u201c<strong>Am\u00e9rica<\/strong>, Europa, \u00c1sia e \u00c1frica\u201d (passaporte n\u00ba 372580.<\/p>\n<p>Sua presen\u00e7a em uma reuni\u00e3o realizada na casa do advogado\u00a0<strong>Jos\u00e9 Moura Rocha<\/strong>\u00a0em 2 de novembro de 1963, levou a Seguran\u00e7a P\u00fablica de ent\u00e3o a identific\u00e1-la como \u201c<strong>de car\u00e1ter comunista<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>No\u00a0<strong>\u00faltimo com\u00edcio<\/strong>\u00a0daquele ano, no Parque Rodolfo Lins, J<strong>ayme Miranda<\/strong>\u00a0voltou a reafirmar a sua condi\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>comunista<\/strong>\u00a0e defensor do regime cubano, que indicava como\u00a0<strong>uma refer\u00eancia<\/strong>\u00a0e que deveria ser adotado no Brasil. Assim anotou o DOPSE.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.historiadealagoas.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/1472981_1436400659922187_1406640766_n.jpg?resize=1024%2C599&amp;ssl=1\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"599\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Na China com Mao Ts\u00e9 Tung<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em suas\u00a0<strong>viagens internacionais<\/strong>, sempre designado para miss\u00f5es pelo Partido Comunista, esteve em\u00a0<strong>Cuba<\/strong>\u00a0onde participou de reuni\u00f5es com F<strong>idel Castro<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Che Guevara<\/strong>. Fez parte da primeira delega\u00e7\u00e3o do Partido Comunista Brasileiro \u2013 PCB \u00e0\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0para reuni\u00f5es com\u00a0<strong>Mao Ts\u00e9 Tung<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure style=\"width: 725px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.historiadealagoas.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Casamento-de-Jayme-Miranda-com-Elza-scaled.jpg?resize=1137%2C1536&amp;ssl=1\" alt=\"\" width=\"725\" height=\"980\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Casamento de Jayme Miranda com Elza<\/figcaption><\/figure>\n<h4>Um homem de ideais<\/h4>\n<p>Jayme casou-se com\u00a0<strong>Elza Miranda<\/strong>\u00a0e teve quatro filhos: dois nascidos em Alagoas (<strong>Yuri<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Olga<\/strong>) e dois nascidos do Rio de Janeiro (<strong>Jayme<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Andr\u00e9<\/strong>), para onde se mudou em 1965 para tratar da sa\u00fade e dar continuidade aos seus\u00a0<strong>projetos pol\u00edticos<\/strong>.<\/p>\n<figure style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.historiadealagoas.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Rubens-Cola%C3%A7o-e-Jayme-Miranda-em-um-bar-de-Jaragu%C3%A1-no-in%C3%ADcio-dos-anos-60.jpg?resize=1024%2C644&amp;ssl=1\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"644\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Rubens Cola\u00e7o e Jayme Miranda em um bar de Jaragu\u00e1 no in\u00edcio dos anos 60<\/figcaption><\/figure>\n<p>Jayme ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB) ainda jovem e suas habilidades logo o al\u00e7aram a ocupar os cargos mais importantes daquela organiza\u00e7\u00e3o. Foi considerado o <strong>terceiro homem<\/strong>\u00a0na estrutura do PCB.<\/p>\n<p>Foi ainda\u00a0<strong>suplente<\/strong>\u00a0de\u00a0<strong>deputado estadual<\/strong>\u00a0em Alagoas, sendo o mais votado na capital, por\u00e9m, teve cassado seu mandato ap\u00f3s o\u00a0<strong>Golpe Militar de 1964<\/strong>.<\/p>\n<figure style=\"width: 336px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.historiadealagoas.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Propaganda-eleitoral-do-candidato-a-deputado-estadual-Jayme-Miranda-.jpg?resize=609%2C1024&amp;ssl=1\" alt=\"\" width=\"336\" height=\"565\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Propaganda eleitoral do candidato a deputado estadual Jayme Miranda<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 7 de abril de 1964, o\u00a0<strong>DOPSE<\/strong>\u00a0em Alagoas instaurou inqu\u00e9rito contra\u00a0<strong>Luiz Carlos Prestes<\/strong>, Jayme Miranda e outras 72 pessoas. Tinha in\u00edcio a Ditadura Militar.<\/p>\n<p>Novo\u00a0<strong>mandato de pris\u00e3o<\/strong>\u00a0contra ele foi lavrado em 3 de novembro de 1965, por solicita\u00e7\u00e3o do ministro da Guerra e Ex\u00e9rcito. Para\u00a0<strong>fugir da pris\u00e3o<\/strong>, escondeu-se no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><strong>Poliglota<\/strong>, nesse per\u00edodo trabalhava clandestinamente\u00a0<strong>traduzindo textos<\/strong>\u00a0para os grandes jornais do Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 1967, teve seus\u00a0<strong>direitos pol\u00edticos cassados<\/strong>\u00a0e passou a ser tratado pela Ditadura como<strong>\u00a0terrorista<\/strong>. Para escapar do cerco da repress\u00e3o,\u00a0<strong>mudava de resid\u00eancia<\/strong>\u00a0com sua fam\u00edlia periodicamente.<\/p>\n<p>As sequelas das<strong>\u00a0torturas<\/strong>\u00a0sofridas nas suas diversas pris\u00f5es obrigaram Jayme a ausentar-se do Pa\u00eds, em meados de 1973, para tratar sua\u00a0<strong>sa\u00fade<\/strong>\u00a0na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, somente retornando no ano seguinte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.historiadealagoas.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Jayme-Miranda-e-fam%C3%ADlia-1.jpg?w=1000&amp;ssl=1\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"692\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Jayme Miranda com sua esposa, Elza Miranda, e filhos<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 4 de fevereiro de 1975,\u00a0<strong>Jayme Amorim de Miranda<\/strong>\u00a0saiu de casa, no bairro do Catumbi no Rio de Janeiro, para encontrar um colega de partido, encarregado de entregar-lhe alguns\u00a0<strong>documentos<\/strong>. Nunca mais foi visto.<\/p>\n<p>Foi\u00a0<strong>sequestrado<\/strong>, torturado e morto pela\u00a0<strong>repress\u00e3o<\/strong>. Segundo o livro\u00a0<em>Desaparecidos Pol\u00edticos<\/em>, de Reinaldo Cabral e Ronaldo Lapa, Jayme foi executado em\u00a0<strong>S\u00e3o Paulo<\/strong>\u00a0e seu corpo jogado de um avi\u00e3o militar no\u00a0<strong>Oceano Atl\u00e2ntico<\/strong>, a 200 milhas da costa.<\/p>\n<p>Na vers\u00e3o do ex-agente do DOI-CODI\/SP,\u00a0<strong>Marival Chaves<\/strong>, em entrevista publicada pela revista\u00a0<strong><em>Veja<\/em><\/strong>\u00a0de 18 de novembro de 1992, Jayme teria sido morto sob\u00a0<strong>tortura<\/strong>\u00a0e seu corpo jogado no\u00a0<strong>Rio de Avar\u00e9<\/strong>, interior de S\u00e3o Paulo. Na p\u00e1gina 25 da citada revista, o rep\u00f3rter \u00a0questiona o entrevistado: \u201cVoltando ao\u00a0<strong>Rio Avar\u00e9<\/strong>. O senhor falou em oito nomes, mas contou s\u00f3 seis\u201d. Em resposta,\u00a0<strong>Marival Chaves<\/strong>\u00a0revela o nome dos outros dois corpos jogados no Rio Avar\u00e9: \u201cUm \u00e9\u00a0<strong>Jayme Amorim de Miranda<\/strong>, tamb\u00e9m preso na\u00a0<em>Opera\u00e7\u00e3o Radar<\/em>, numa das incurs\u00f5es do DOI de S\u00e3o Paulo ao Rio. Foi transferido para\u00a0<strong>Itapevi<\/strong>\u00a0(\u2026)\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.historiadealagoas.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Jaime-Miranda-em-Madrid.jpg?w=613&amp;ssl=1\" width=\"394\" height=\"577\" \/><\/p>\n<p>Levantamento feito pela<strong>\u00a0Comiss\u00e3o Especial sobre Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos<\/strong>, publicado no livro\u00a0<strong><em>Direito \u00e0 Mem\u00f3ria e \u00e0 Verdade<\/em><\/strong>, tamb\u00e9m refor\u00e7a a tese da morte de Jayme por\u00a0<strong>tortura<\/strong>\u00a0pelo DOI paulista.<\/p>\n<p><strong>Elio Gaspari<\/strong>, em\u00a0<strong><em>A Ditadura Encurralada<\/em><\/strong>, por sua vez, afirma que Jayme, sequestrado no Rio, fora visto do DOPS\/SP e assassinado no\u00a0<strong>Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito<\/strong>\u00a0\u2013 CIE de Itapevi\/SP pelas mesmas pessoas posteriormente respons\u00e1veis pelas mortes de\u00a0<strong>Vladimir Herzog<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Manoel Fiel Filho<\/strong>.<\/p>\n<p>Segundo\u00a0<strong>Elio<\/strong>, \u201c(\u2026) nesse dia desapareceu, no Rio de Janeiro,\u00a0<strong>Jayme Amorim de Miranda<\/strong>, ex-secret\u00e1rio de organiza\u00e7\u00e3o do PCB. Acabava de voltar de\u00a0<strong>Moscou<\/strong>. Teria sido visto no\u00a0<strong>DOPS<\/strong>\u00a0de S\u00e3o Paulo. Foi\u00a0<strong>assassinado<\/strong>\u00a0no aparelho do CIE em Itapevi\u201d.<\/p>\n<p>Veja o excelente document\u00e1rio\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=39AdpxZ2k6I\">Mem\u00f3rias de Sangue<\/a><\/em>\u00a0produzido pelo IZP, com produ\u00e7\u00e3o executiva, textos e coment\u00e1rios de Jo\u00e3o Marcos Carvalho e imagens principais de Andr\u00e9 Feij\u00f3.<\/p>\n<p>(Texto adaptado a partir de material publicado no site\u00a0<a href=\"http:\/\/jaymemiranda.org\/\">Jayme Miranda<\/a>).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por: <span class=\"vcard author\"><span class=\"fn\">Ticianeli &#8211; Historia de Alagoas<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jayme Miranda foi sequestrado pela Ditadura Militar no dia 4 de fevereiro de 1975, ap\u00f3s&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[19,4],"tags":[],"class_list":["post-39306","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-gerais","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/informealagoas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/informealagoas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/informealagoas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/informealagoas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/informealagoas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39306"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/informealagoas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39306\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39307,"href":"https:\/\/informealagoas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39306\/revisions\/39307"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/informealagoas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/informealagoas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/informealagoas.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}