‘Ele gritava que não conseguia respirar’, diz amigo de negro morto em supermercado de Porto Alegre

Delegada diz que análise preliminar aponta asfixia. João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi espancado e morreu em uma unidade do Carrefour. Em nota, estabelecimento chamou ato de criminoso.

Um amigo de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, homem negro espancado até a morte em um supermercado de Porto Alegre, na noite de quinta-feira (19), disse que ele “gritava que não conseguia respirar” enquanto os seguranças o agrediam.

Freitas foi espancado por seguranças brancos e morreu em uma unidade do Carrefour. As imagens da agressão foram gravadas e circulam nas redes sociais (veja vídeo acima).

“Aquele vídeo ali, cara, mostra toda a agressão que ele teve antes de vir a óbito. Além de agredirem ele, deram um mata-leão nele, asfixiaram ele, pessoal pedindo para largarem ele, para deixar ele pra respirar, porque ele gritava que não conseguia respirar, eles não largaram, quando largaram ele já estava roxo, já estava sem respirar”, diz Paulão Paquetá, amigo da vítima.

Paulão mora no mesmo bairro que João Alberto. Ele diz que foi ao supermercado para fazer compras e, ao chegar, viu o amigo sendo agredido.

“[Cheguei] na hora que estavam agredindo. Eles já tinham tomado o celular dos motoboys. A gente não conseguiu filmar. Era muito segurança”, afirma Paulão.

“Não tínhamos como fazer [nada]. Nos manifestamos depois com a chegada da Brigada Militar”, acrescenta.

Ainda não se sabe qual foi a causa da morte, mas segundo a delegada Roberta Bertoldo, uma análise preliminar da perícia indica asfixia.

A esposa de João disse à polícia que os dois foram fazer compras no supermercado e que, após fazer um gesto para uma fiscal, João foi conduzido para fora do mercado, onde ele foi agredido até a morte.

Os dois suspeitos, um de 24 anos e outro de 30 anos, foram presos em flagrante. Um deles é policial militar e foi levado para um presídio militar. O outro é segurança da loja e está em um prédio da Polícia Civil. A investigação trata o crime como homicídio qualificado.

Segundo a Polícia Civil, o policial militar trabalhava como segurança do supermercado. Em nota, a Brigada Militar disse que o PM envolvido na agressão é “temporário” e estava fora do horário de trabalho de policial.

Portal G1

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