Alagoas tem quatro projetos classificados no Itaú Cultural

Os trabalhos foram selecionados entre os mais de 12 mil inscritos no Edital Emergencial de Literatura

“É muito gratificante estar entre nomes da literatura contemporânea brasileira. Além de dar uma maior credibilidade ao meu trabalho, esse edital, principalmente por ser nacional, dá mais visibilidade à produção local, mostra que em Alagoas tem gente produzindo. É importante também pensar que alguém que ganhou o edital é morador da periferia, que é muito marginalizada, e mostrar que lá há também quem produz, que pensa diferente”.

Jean Albuquerque foi um dos quatro vencedores do edital do Itaú Cultural. Foto Redes Sociais.

O relato é do jornalista e poeta Jean Albuquerque, um dos quatro escritores alagoanos que tiveram seus trabalhos classificados entre mais de 12 mil inscritos no edital Arte Como Respiro – Múltiplos Editais de Emergência/Literatura do Itaú Cultural. O edital visa incentivar a produção criativa durante o período de distanciamento social por causa da pandemia da covid-19.

Com dois livros já lançados, Meu peito é um caminhão de mudança abarrotado com todas as lembranças que você deixou e Os deuses estão embriagados de uísque falsificado, Jean já ganhou editais importantes ao longo da sua carreira, como o 4º Concurso de Poesia Jorge de Lima e o Festival Dendi Casa Tem Cultura, da Secretaria de Estado da Cultura (Secult/AL), e, agora, o Itaú Cultural.

Dos 12.982 inscritos foram selecionados 200 trabalhos, nas categorias Escrita (prosa ou poesia) e Poesia Falada. Este é o quinto edital da série Arte Como Respiro, envolvendo escritores de todo o país. Pelo edital, os participantes deveriam propor um trabalho literário voltado para o futuro da humanidade no pós-pandemia.

Além de Jean Albuquerque, os outros escritores alagoanos também classificados foram Carine Valéria Mendes dos Santos (Escrita), Isadora Laís Lima Nogueira (Poesia Falada) e Lucas Litrento (Escrita).

Como escritor, realizador cinematográfico e produtor cultural alagoano, Lucas Litrento, também é um veterano em premiações locais e nacionais. Além de ganhar três editais de crônicas e um de poesia da Secretaria de Estado da Cultura (Secult/AL), venceu a primeira edição do Prêmio Delfos de Literatura 2019, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), e o Prêmio Malê de Literatura, do Rio de Janeiro, com o livro de contos TXOW (2020).

Com Janderson Felipe, assina o roteiro e a direção do curta-metragem Samuel foi trabalhar, um dos contemplados pelo Edital do Audiovisual 2019, realizado pela Prefeitura de Maceió, por meio da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC), e a Agência Nacional de Cinema (Ancine). O filme, em fase de produção, está parado por conta da pandemia.

“Estamos vivendo um período delicado para tudo, em especial para a área artística. Mais que a premiação em dinheiro ou a publicação do livro, que também é algo bem-vindo, é gratificante ver o reconhecimento do nosso nome. Levar o nome do Estado nessas iniciativas nacionais, as nossas referências, tudo isso é muito importante. Grande parte da minha obra retrata a periferia, as questões da negritude. Então, além do prêmio, a gente leva também todas essas bandeiras”, disse Litrento. Participar também é um jeito de mostrar a relevância da produção local. “É um recado para as outras pessoas para que não desistam, que se inscrevam”, completou.

Soraya Leite/Ascom FMAC

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