Moraes Moreira: um craque na arte de unir música e futebol

Músico baiano, que faleceu nesta segunda-feira aos 72 anos, transformou sua paixão pelo Flamengo e pela Seleção em músicas lembradas para sempre

“E agora como que é eu fico
Nas tardes de domingo
Sem Zico no Maracanã

E agora como é que eu me vingo
De toda derrota da vida
Se a cada gol do Flamengo
Eu me sentia um vencedor”

Com estes versos, Moraes Moreira resumiu perfeitamente o sentimento dos torcedores do Flamengo no segundo semestre de 1983, quando Zico deixou a Gávea e foi para a Itália, jogar na Udinese.

Vítima de um infarte nesta segunda-feira, aos 72 anos, o baiano Moraes Moreira escreveu e cantou o que sentia de verdade. Ele não renegava as origens, admitindo ser “simpático” ao Bahia. Mas não escondia a paixão pelo Rubro-Negro carioca.

Moraes é um exemplo de artista, infelizmente, em extinção na cenário musical nacional: o que conseguia unir duas das grandes paixões dos brasileiros e ter o futebol como inspiração para suas canções.

Um dos integrantes dos “Novos Baianos”, ele está presente nesta “seleção” ao lado de feras como Pixinguinha (“Um a zero”), Wilson Batista (Samba rubro-negro), Milton Nascimento/Fernando Brandt (“Aqui é o país do futebol”), Jorge Ben Jor (“Fio Maravilha”), João Nogueira (“Samba rubro-negro” – atualizado).

O futebol era tão importante para ele – e tão ligado ao seu trabalho musical – que Moraes escolheu vestir uma camisa do Flamengo para estampar a capa de um seus discos no auge de sua popularidade. Curiosamente não uma camisa 10 do ídolo (e amigo) Zico. Mas uma número 8, na época usada por Adílio. Para casar com o título do LP: “Pintando o 8”. Cuja faixa final é “Saudades do Galinho”.

A canção que lamentava a saída de Zico não foi um caso isolado na obra do baiano. Em 1979, já havia cantado a paixão pelo clube de coração em “Vitorioso Flamengo”. Cujo refrão levantava a torcida.

“E a galera canta
Flamengo eu sou teu fã
Grito de gol levanta
Sacode o Maracanã”

Zico não foi único jogador de futebol homenageado nas letras de Moraes Moreira. Antes da Copa de 82, lançou “Sangue, Swing e Cintura”. O Galinho, lógico, era citado na letra. Mas também Pelé, Garrincha, o “doutor” Sócrates (e seu famoso toque de calcanhar) e até o treinador Telê Santana (o “fio de esperança”).

Músicas de uma época que a Seleção empolgava a torcida. De um tempo que fazia os músicos cantarem o futebol.

Portal GloboEsporte

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